Não vou trabalhar mais no rancho da Maggie, nunca mais. Estou sem um tostão, o banco tá com febre e não me deixa sacar dinheiro, não faz mal, cinco reais pra esse final de semana ou pro resto dos dias é tudo o que tenho, então talvez eu nem gaste essa grana, talvez eu guarde de lembrança.
Terça-feira, vinte e quatro de junho, estou com apresentação marcada no CEP 20.000. Vai ser no Teatro do Jockey, Baixo Gávea. Vou chegar chegando para cantar ‘A Revolução Não Será Televisionada’, cujo símbolo é a banana e o satélite um lunático pisado na lua. Essa edição do CEP 20.000 será uma homenagem a 1968 e todos os seus passageiros. Eu não era nem nascido em 68, mas eu tava lá.
27 Junho, 2008 às 2:58 pm
No cruzamento da rua Pará com a Rio Grande tinha um moço bem vestido que com uma reverência me entregou um papel dobrado. Não me disse nada e saiu. Fui até a farmácia para comprar os remédios do meu avô com aquele papel apertado no bolso. O celular não tocou um só momento, e aquela tensão de não ter com quem falar me fez pensar em abri-lo. Tentei puxar assunto com o caixa, mas não durou mais do que uns dois minutinhos. Parei em frente a farmácia e, com a sacola pendurada no braço, abri o papel: “você pode sacar dinheiro no banco na boca do caixa com o número de sua conta, seu RG e seu CPF”. Eu estava milionário!