No contrato do mundo existe uma cláusula que geralmente é publicada em fonte menor do que do resto do documento: Só conhece o Fracasso quem espera alcançar o Sucesso. Desconfie de outdoors e mocinhas de novelas. Desconfie do teu pai e do presidente. Estampam o sucesso como troféu como se não viesse acompanhado de nenhuma anulação, querendo nos fazer entender o que não é. Nunca foi. Nem será. Não precisa ter visão de raio x, ser um mutante, nem ter lido a coleção completa de auto-ajuda da sua tia para entender que o sucesso não é a moça de vermelho que anda como que flutua e sorri como se fosse verão, quero dizer, a tal da felicidade, mano. Mas o fracasso… ah, o fracasso, sempre quando a gente menos espera, esse sim um fator humano. Afinal fracassamos muito mais do que obtemos sucessos, é a condição que nos deixa mais próximos da falha, da capacidade de nos reinventarmos mesmo quando é noite e só as velas estão acesas, sobretudo quando dispara o sinal, e à partir daí dias dedicados para que o fracasso se reconstrua afim de que se fracasse melhor.
Embora haja os desistentes, que se matam, que não suportam o intragável desconforto, esgotados de tanta reforma, a maré afoga, as cousas que por descuido ou por muito zelo acabam indo indo indo. Sabe-se que morrer não é fracassar. É bom saber. Mesmo que alguns façam outros passeios, a capacidade de errar novamente é absoluta e total, é quase como uma condição de vida, uma tempestade que sempre chega e rega o jardim de Kafka, o erro nos humaniza, nos aproxima uns dos outros, é à partir dele que forjaremos as nossas qualidades. Pois então ao andar pela rua, em praias, shows, second life (o que for) por fim, no pódio, não se esqueça, você não passa de um fracassado que mija nas calças quando ri e quebra a casa quando chora de saudades. Nós somos uns panacas. Todos. Sorrindo como um farol. Viva os que fracassam! Há em nós, tio, uma impenetrável coroa de rei (de carne).