Melhor do que gude é jogar bilhar. Me sinto como que coberto por um edredon cinza, está tudo nublado no céu, essa hora agora está já escuro, a noite cegou a manhã. São onze e meia com postes acesos na rua. Bom rapaz, num dia desses fiquei sabendo que o Raul Seixas morou no meu prédio naqueles tempos em que se esforçou em beber por aqui. Me pareceu uma boa coisa saber que um outro baiano, ainda por cima o Raul viveu aqui, talvez no meu apartamento.
Agora tá explicado a pagana que encontrei no fundo da gaveta, e ninguém sabia me explicar de quem era. Não importa, sendo do Raaaul ou não, fomei.
E hoje tem a pré-estreia da peça que estou montando (‘Exercício de Montagem Bonitinha, Mas Ordinária’). Tá chegando a hora de começar a beber, porque todo o resto já fiz. Meses de ensaio e estudo, dia após dia, ontem/hoje ficamos até às 02:00 da madrugada no teatro. Dormi até agora (talvez ainda esteja), a Dona Máquina tá lavando a roupa do Edgard, no momento Tom Zé canta, mas já vou trocar pra um Creedence Clearwater Revival, e por assim, deixando chover tudo o que há, vou me ocupando até a hora em que entrar no palco pareça ser como que chegar em casa.