Neil Armstrong disse ter visto a mais bela noite da sua vida. Quando voltou de viagem sua mulher o levou para o supermercado em seguida jantaram no McDonalds.
No mundo de cá ele não conseguia dormir. Se dormisse que sonhos teria? No que pensa toda noite de lua cheia?, enquanto sua mulher conversa ao telefone e seu filho se joga no video-game.
Aos sábados sai de carro em passeios noturnos à procura de uma rua vazia, um terreno baldio. Aos domingos sobe no telhado com uma garrafa de vinho, num banho de lua, compenetrado em decifrar cada clarão, planejando sua viagem impossível. Enquanto a família vai ao shopping, Neil Armstrong na garagem secretamente planeja sua fuga, entre garrafas pet, dinamites e tubos PVC, constrói uma nave-foguete que um dia, numa explosão incrível, irá levá-lo de volta pro que deixou à esperar: umas cervejas com São Jorge.
Amanhã embarco num avião catapultador para o Rio de Janeiro. De volta ou embora? Pra perto ou pra longe? Quem sabe pra casa.
Vamos embora, Putaquepariu.