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Capitu

16 Agosto, 2008

- Há letras inúteis e letras dispensáveis – dizia ele – Que serviço diverso prestam o d e o t? Têm quase o mesmo som. O mesmo digo do b e do p, o mesmo do ç, do c, e do z, o mesmo do k e do g, etc. São trapalhices caligráficas. Veja os algarismos: não há dois que façam o mesmo ofício; 4 é 4, 7 é 7. E admire a beleza com que um 4 e um 7 forma esta coisa que se exprime por 11. Agora dobre 11 e terá 22; mas onde a perfeição é maior é no emprego do zero. O valor do zero é, em si mesmo, nada; mas o ofício desse sinal negativo é justamente aumentar. Um 5 sozinho é um 5; ponha-lhe dois 00, é 500. Assim, o que não vale nada faz valer muito, coisa que não fazem as letras dobradas, pois eu tanto aprovo com um p como com dois pp.

Do maior clássico brasileiro de todos os tempos [me sinto meio Galvão Bueno dizendo isso], Dom Casmurro, em memória ao ano do Machadão, estou quase terminando o livro. E não só, como também moro no bairro em que o Machadão viveu [eu não sabia disso, agora que entendo porque logo à frente daqui tem o Largo do Machado], então, algaritmos, astrofísica, astrologia, astronomia, qualquer panqueca, Casmurrão tem que ler.