É desde o tempo do carro de boi, quando zeca e todas as meninas, a turma junta na praça com algodão-doce, skate, pipa, bala, o louvor misturado ao carnaval no canavial, cem anos e mais quatrocentos, quinhentos anos, e vem chegando e vai chegar se quisermos o dia do continente Brasil. Eu sei que as coisas estão como estão, e vocês sabem o quanto sou pessimista, descrente de que vai melhorar, que estamos descendo ladeira abaixo, sem renascimento possível. Mas, olha só, é sempre preciso duvidar de si. Se Walt Withman disse, se Maiakovski disse, então a gente tem que parar pra pensar direito. Na verdade, por mais que eu pense assim, sei conscientemente que minhas ambições como artista é focada na tentativa de escrever uma revolução, não digo em âmbito total, não ainda – mas é preciso pensar que sim -, mas no mundo que me cerca que são meus amigos, família, cachorro, e teus colegas do orkut. Por aí se vai. Brasil ordem e progresso – por mais que estejamos em desordem e retrocesso -, nada é como o samba, o tempero, o mar, o sorriso que é pescado na esquina – e falo isso sempre lembrando lá de Salvador, do cheiro de Salvador, do cheiro de Sal. Tantos viram, outros viram, eu não vi nada, mas quero ver, em vida, essa onda virar.
No vídeo abaixo, ao comentar uma de suas novas composições, Gil sente as tremas e pausas que surgem quando se fala nesse assunto.