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Sem título

29 Agosto, 2008

Uma vez num bar aqui em Laranjeiras, bebendo algumas dezenas de cervejas com batatas fritas, eu percebi que na mesa em que estávamos tinha uma frase riscada por um objeto pontiagudo: ISSO EU NÃO VOU FAZER. Embalado pelo canto do éter, fiquei me perguntando quem tinha escrito tal promessa. Homem, mulher, criança, afinal o que ele/ela não vai fazer?, e porquê? Deixei essas respostas pra outro e peguei a mensagem e fiz dois poemas na hora, que tivessem como ponto de cruz a frase máxima riscada na mesa.

ISSO de sambar,
EU que vivo dançando,
NÃO digo que
VOU quando convém,
FAZER um pandeiro.

Da primeira surgiu um pequeno samba que até cheguei a criar uma singela harmonia no violão uma vez. Alguns de vocês já me ouviram cantando, mas nunca expliquei como tinha surgido.

ISSO que soca quando EU por aí ando, NÃO muda o percurso que VOU trançar pra FAZER você me encontrar.

A segunda escrevi num guardanapo e colei embaixo da mesa.

Gostei de como uma frase com um certo sentido, e no entanto com tantas lacunas, foram fechadas com algumas poucas palavras, dando-lhe um sentido pessoal. Não cheguei a dar títulos, isso cabe ao outro poeta, o que começou, o invisível, que talvez eu nunca venha a conhecer. O título só virá depois que ele me explicar, afinal de contas, o que é que não pode ser feito numa mesa de bar.