Drama

6 Setembro, 2008

Volto, como sempre, à este boteco sujo.
Meu reino, tudo posto na minha frente:
 - Linguiça frita e uma cachacinha amiga.
Tudo todo cada dia bebo, como sempre.
Por acaso senta-se ao meu lado uma senhora cheirando a cebola, de olhar embriagado. Finjo que não a vejo e peço a primeira dose pro Moacir. 1uma, 3três, 5cinco, 7sete doses depois e ela não tira os olhos de mim. É uma senhora feia, despenteada, mal vestida, provavelmente mal comida, e acima de tudo bêbeda. A velha não para de me olhar, e isso me incomoda um pouco, se eu tivesse feito algo de errado pra aquela velha eu saberia, velha me olha como se eu a conhecesse velha mas eu nunca vi mais velha doida antes. Tomo a saideira e penduro a conta. Cambaleio pelas ruas, a velha me seguindo, distraído tropeço caindo no asfalto. A velha me ajuda, me levanta, me carregando pela esquina, braço no braço, dizendo Vamos pra casa, papai.

Passou um vento abafado, como geralmente são os ventos que antecedem uma tempestade.

4 Respostas para “Drama”

  1. Porta Bandeira Diz:

    Acorodu numa banheira de gelo? Sem rim?

  2. Leo Diz:

    Com um simples texto quantas questões podem ser imaginadas. Não me refiro apenas ao que está sendo dito, às pontas soltas, mas do que não tem uma palavra.

  3. Gabriel Camões Diz:

    Em janeiro, pretendo ir ao rio de Janeiro.

    Esperei o ano inteiro.

    Oxalá eu tenha dinheiro.

    Abraço, companheiro.


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